BRB corre contra o tempo e apresenta plano de R$ 5 bilhões ao Banco Central para reforçar capital
BRASÍLIA – O Banco de Brasília (BRB) vive um dia decisivo para o seu futuro financeiro. A instituição deve entregar ao Banco Central (BC) nesta sexta-feira um plano de ação detalhado para fortalecer seu balanço em, no mínimo, R$ 5 bilhões. O movimento, visto como uma “corrida contra o relógio”, tornou-se urgente após a exposição de fragilidades patrimoniais e os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.
Pressão do Órgão Regulador
A exigência do Banco Central ocorre em um momento de vigilância sobre os índices de Basileia do BRB — indicador que mede a solvência de uma instituição financeira. Sem o aporte ou uma reestruturação robusta, o banco corre o risco de ver sua capacidade de conceder novos empréstimos limitada ou de sofrer intervenções administrativas mais severas.
O plano de R$ 5 bilhões deve incluir uma combinação de estratégias:
Aporte de capital: O Governo do Distrito Federal (GDF), como acionista majoritário, é o principal articulador para viabilizar recursos.
Venda de ativos: Desinvestimentos em áreas não estratégicas ou a busca por novos sócios em subsidiárias.
Retenção de dividendos: Uma medida amarga para os acionistas, mas necessária para preservar o caixa.
O “Efeito Master”
A urgência da capitalização ganhou contornos dramáticos após o imbróglio com o Banco Master. Recentemente, auditorias e o mercado levantaram questionamentos sobre transações cruzadas e a qualidade de ativos no balanço do BRB. A percepção de risco aumentou, forçando o banco estatal a buscar uma solução definitiva para acalmar os investidores e cumprir as normas prudenciais do BC.
Bastidores e Política
Nos bastidores do GDF, o governador Ibaneis Rocha tem acompanhado de perto as negociações. O BRB é o principal braço financeiro de fomento do Distrito Federal, e uma crise na instituição teria impactos diretos na economia local e na execução de políticas públicas.
Até o fechamento desta edição, o BRB não havia detalhado publicamente os termos do documento entregue ao BC, mas a expectativa é que o plano contenha metas de curto e médio prazo para restaurar a confiança do mercado e a saúde financeira do banco.
