Lucros recordes e estratégias disruptivas marcam o posicionamento de Itaú, Santander e Banco do Brasil para o novo ciclo econômico
O setor bancário brasileiro inicia 2026 consolidando uma trajetória de robustez financeira que desafia as oscilações macroeconômicas. O Itaú Unibanco encerrou o último exercício com um lucro líquido histórico de R$ 46,8 bilhões, apresentando uma rentabilidade (ROE) de 23,4%, patamar que o posiciona como líder absoluto em eficiência. O Santander, por sua vez, registrou lucro de R$ 15,6 bilhões, priorizando a seletividade de ativos e o crescimento no segmento de pequenas e médias empresas, enquanto o Banco do Brasil mantém sua relevância estratégica no agronegócio e na gestão de crédito direcionado. Para o empreendedor, este cenário sinaliza uma manutenção da oferta de capital, embora sob um crivo mais rigoroso de inadimplência, que apresentou leves altas em linhas de consumo no fechamento do último trimestre.
Do ponto de vista econômico e comercial, a projeção de crescimento do crédito para 2026 gira em torno de 8,2%, refletindo uma desaceleração gradual, mas resiliente, mesmo com a taxa Selic ainda em patamares elevados de dois dígitos. A estratégia comercial das instituições foca agora na personalização extrema via Inteligência Artificial e na expansão do Open Finance para capturar clientes de nicho. O mercado aguarda o ciclo de cortes nos juros, previsto para se intensificar a partir de março de 2026, o que deve baratear o custo de capital e estimular novos investimentos produtivos. No entanto, o spread bancário permanece alto, um desafio estrutural que exige dos gestores empresariais um planejamento financeiro milimétrico para evitar o endividamento oneroso.
No campo político, a tensão entre a política fiscal expansionista e o controle inflacionário pelo Banco Central dita o ritmo das expectativas. A implementação da reforma tributária (IVA) e as discussões sobre a desoneração da folha são monitoradas de perto, pois impactam diretamente o custo operacional das instituições e a capacidade de consumo das famílias. Os bancos estatais, como o Banco do Brasil, continuam sendo utilizados como instrumentos de fomento e regulação de mercado, equilibrando a busca por lucro com metas de desenvolvimento social. Esse ambiente exige que o empreendedor brasileiro adote uma visão ágil, aproveitando as linhas de crédito sustentáveis (ESG) que ganham força nas prateleiras bancárias como alternativa para captar recursos com taxas diferenciadas.
Para 2026, a palavra de ordem é eficiência tecnológica aliada à segurança cibernética. Com o avanço das stablecoins e da tokenização de ativos, os grandes bancos estão redesenhando suas tesourarias para integrar o dinheiro programável às operações cotidianas. O sucesso das empresas neste novo ano dependerá da capacidade de navegar entre a oferta de crédito tradicional e as novas soluções digitais que prometem maior liquidez. Enquanto o Itaú investe em escala e o Santander em ativos de qualidade, o Banco do Brasil reforça sua base institucional, criando um ecossistema onde a resiliência financeira se torna o principal ativo para quem busca expandir operações em um mercado cada vez mais competitivo e digitalizado
FONTES
Investidor10 https://investidor10.com.br/noticias/lucro-dos-3-grandes-bancos-privados-sobe-16-em-2025-118482/
Folha de S.Paulo https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/itau-unibanco-renova-recorde-e-lucra-r-468-bilhoes-em-2025.shtml
Febraban https://portal.febraban.org.br/noticia/4409/pt-br/
CNN Brasil https://www.cnnbrasil.com.br/economia/perspectivas-2026-as-projecoes-para-a-economia-brasileira/
Deloitte Brasil https://www.deloitte.com/br/pt/Industries/banking-capital-markets/perspectives/perspectivas-industria-bancaria.html